sábado, 30 de abril de 2011

O Espírito da Verdade

Jesus, o Mestre divino, mostrou como o mundo não é capaz de receber o Espírito da Verdade e deu o motivo: “porque não o vê nem o conhece” (Jo 14,17). O seguidor de Cristo, contudo, O conhece e eis a razão: ele permanece junto dos seus epígonos e está dentro deles. É esta realidade magnífica que precisa sempre e em toda parte ser vivida intensamente pelos batizados. Perceber a presença do Divino Espírito Santo e, muitas vezes, estar em tertúlia com Ele que habita no íntimo de cada um.

Esta idéia da presença de Deus é vital no Antigo e no Novo Testamento. No Gênesis Deus está no Jardim do Éden e no último livro, o Apocalipse, se lê, de novo, Deus vindo para morar com a humanidade. Esta realidade perpassa todo o Livro Sagrado. O povo de Deus era o povo da presença do Altíssimo, na tenda no deserto e, depois, mais tarde, no templo de Jerusalém. É em torno deste fato que o Livro do Êxodo está estruturado. Moisés encontra-se com Javé no Monte Sinai e recebe os Mandamentos. Anos depois Salomão construiu o templo no qual a glória do Senhor resplandeceu (1Reis 8,11).
 
No Novo Testamento São Paulo decodificou magnificamente esta doutrina e mostrou que Deus estava presente nos cristãos e empregou imagens do templo para descrever esta realidade. Assim asseverou aos Coríntios: “Vós não sabeis que sois o templo de Deus que o Espírito de Deus vive em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá, porque o templo de Deus é sagrado e vós sois este templo” (1 Cor 3,16-17). Isto significa que, vivendo no cristão, o Espírito da Verdade o transforma não exteriormente, mas interiormente, levando-o a uma experiência mística inefável. O tempo do fiel não é um tempo pobre, mas de uma riqueza espiritual imensa. Os bens futuros já se acham antecipados e a presença do Espírito permite compreender profundamente a Cristo, único caminho para o Pai. Diante da hostilidade do mundo os seguidores de Jesus estão expostos à dúvida, ao escândalo e ao desânimo. O Espírito, contudo, os ajuda e lhes explica sua condição feliz, afortunada, de estar sempre com Jesus. Espírito da Verdade, ele mostra aos seguidores de Cristo o erro do mundo, sua vaidade, sua inconsistência, dando perseverança na recusa do que é passageiro, ilusório. Oferece, então, a fortaleza para que tudo isto se realize na existência de cada um.
 
Isto é da mais alta importância para a espiritualização do cristão. Não basta receber Hóspede tão sublime, se uma vontade robusta não leva às últimas conseqüências tão benéfica presença. A fortaleza está a serviço da verdade, do direito, da submissão às inspirações divinas. De muita coragem precisa o batizado para viver em função do Espírito da Verdade, sendo santo e imaculado na sua presença. Sob suas luzes é vencida a pusilanimidade para caminhar na grande via da santidade. Este Espírito quer almas voltadas para o alto, vigorosas, que não hesitam diante do bem. Corações magnânimos que marcham resolutamente para a vida eterna. Isto supõe o cumprimento ininterrupto do dever de uma forma austera e com a máxima regularidade, sem tergiversações, longe, portanto, das negligências, das infidelidades.

Adite-se que o Espírito da Verdade leva então à paciência e à perseverança nas tribulações. Estas procedem das fraquezas humanas, das doenças, das incompreensões alheias. O ser pensante é contingente, limitado. É preciso então coragem para suportar tudo com um autodomínio absoluto que leva à imperturbabilidade, à serenidade. O Divino Espírito Santo dá esta fortaleza no batismo com a graça santificante, fortaleza acrescida, ainda mais, com a recepção do sacramento da crisma e com os muitos auxílios a cada instante, impedindo todo tipo de vacilação.

O Espírito da Verdade garante a vitória contra as forças do mal, gerando uma confiança absoluta no poder do Deus que mora lá no fundo do coração de cada um. O cristão, assim avigorado, pode repetir sempre com São Paulo: “Eu tudo posso naquele que me fortifica” (Fil 4,13). Quem vive em função do Espírito da Verdade constrói em si o homem interior, pois Ele conduz a uma espiritualidade profunda. Cumpre, entretanto, maleabilidade, pois o Espírito Santo é um artista divino que realiza uma obra prima, desde que não se coloquem óbices e se seja dócil, flexível, à sua ação.
 
Fonte: desconhecida.

A santificação do tempo

Olhando para o centro de nossa fé, o Mistério Pascal de Jesus Cristo, nele encontramos o sentido ou, se preferirmos, os fundamentos que proporcionam uma atmosfera e uma realidade de santificação de nosso tempo, saboreando a ação em favor de toda a Igreja: Corpo Místico de Cristo, Povo de Deus, Templo do Espírito Santo e Sacramento Universal de Salvação (cf. eclesiologia do Vaticano II).
A celebração do Mistério Pascal é a base para entendermos a santificação do Tempo. A ação divina perpassa a realidade humana e derrama sobre ela os seus dons, os seus frutos, o que ela essencialmente é: Comunhão. Temos a possibilidade de experimentar novamente a Aliança, agora Nova e Eterna. Somos resgatados e inseridos no Coração de Jesus Cristo, naquela porta que se abre do alto da cruz para adentrarmos ao eterno.
Nossa vida humana e eclesial (de Igreja, na Igreja e como Igreja) se desenvolve dentro de um Tempo que às vezes independe da vontade humana (chuva, sol, calor, frio, vento, dia e noite, manhã e tarde), de um Tempo no qual construímos nossa história: gravidez, nascimento, primeiros meses de vida, os cuidados da família, os primeiros passos, os primeiros tombos, os primeiros dentinhos, a fase de criança, a adolescência, a juventude, a maturidade, a terceira idade, a morte. Percorremos um ciclo existencial e vamos deixando as marcas, escrevendo o livro de nossa vida e por fim, pela nossa experiência com a realidade divina, acorremos ao Templo, à Igreja, à Comunidade para celebrar estes diversos momentos. Queremos na verdade agradecer a Deus por ter voltado o seu olhar para cada um de nós ao longo desta caminhada.
Sendo assim, como uma grande Assembléia dos Chamados, dos Escolhidos, membros da Comunidade do Ressuscitado, adentramos numa “pedagogia de formação de cristãos” : o Ano Litúrgico que, com seus Tempos Litúrgicos, transmite a sua extensa “carga” de significados espirituais, pelos quais podemos perceber que nossa história é santificada.
Dentro da pedagogia do ano litúrgico, a riqueza do conjunto de celebrações, textos bíblicos, sacramentos e sacramentais, a Igreja oferece-nos a possibilidade de vivenciarmos a “Páscoa do Cristo na Páscoa da gente e a Páscoa da gente na Páscoa de Cristo”. É importante lembrar que este mistério acontece também na vida de pessoas, homens, mulheres, crianças como nós e que hoje a Igreja proclama como Santos e Santas, mas não nasceram assim, foram construindo sua história de santificação pela graça divina e pela participação no projeto do Reino de Deus.
Ao fazermos a experiência dos Tempos Litúrgicos podemos recolher deles os elementos ou, no sentido figurado, os tijolinhos que vamos colocando na estrada de nossa vida, na busca pela santificação. É preciso entender que nesta pedagogia cristã alimentamo-nos com os sinais sensíveis, com a teologia expressa pelo próprio rito, pela música, pela Palavra proclamada, pela organização do próprio espaço celebrativo, pelo Corpo e Sangue oferecidos e repartidos na Assembléia Litúrgica.
No Tempo Comum, tempo de caminhada pedagógica, podemos experimentar o mistério pascal de Cristo. Período de 33 ou 34 domingos, divididos em duas grandes partes: nas Semanas que ocorrem depois do Batismo do Senhor até a Quarta-feira de Cinzas e da Segunda-feira depois de Pentecostes até o Começo do Advento. A cada domingo bebemos profundamente deste mistério de amor e por isso fazemos uma experiência mistagógica de nossa fé.
Caminhamos com o Cristo através dos sinais, dos elementos fundacionais (chamado, constituição da comunidade dos 12 apóstolos, entre outros), dos gestos e atitudes que manifestam o projeto salvífico e a implantação do Reino.
Nesta descoberta dos elementos cristológicos e eclesiológicos, vemos que os mesmos se manifestam ainda nas próprias Festas do Senhor, de Maria e dos Santos e Santas que acontecem dentro deste Tempo Comum. Contemplamos Maria como ícone da Igreja, nela se manifesta aquilo que Deus reserva à pessoa humana. Nos Santos e Santas de Deus contemplamos a concretização do Mistério Pascal de Jesus Cristo. Tornam-se para nós testemunhas do Amor e do Projeto do Pai em favor da humanidade.
O caminho está apontado. Distante de nós? Acredito que não. A experiência mística é possível no cotidiano de nossa vida alimentada e fortalecida pela nossa Páscoa Semanal (Eucaristia Dominical: mesa da Palavra e do Sacrifício). Que a pedagogia do Ano litúrgico possa nos ajudar a fazer uma autêntica experiência do Homem de Nazaré e do Cristo pela Igreja, com a Igreja e como Igreja. Que percorrendo este caminho possamos ser santificados pela graça divina e nos tornarmos testemunhas autênticas do Mistério Pascal.

fonte:
http://www.cnbb.org.br/documento_geral/Ficha14Asantificacaodotempo.doc

Seis perigos

1. A rotina. Nada pior para um casal, um sacerdote, uma liderança, uma autoridade a rotina. E por quê? Porque envelhece e mata a vida, impede a esperança e a criatividade. A pessoa rotineira abraça a mesmice, o conformismo, a facilidade e a indiferença. Tudo se torna sem sentido e sem valor, sem interioridade. É o pecado capital da preguiça. A rotina torna a vida sem graça, monótona, sem expectativa de melhora e de transformação. A rotina é a morte do cotidiano, o desprezo dos valores e das maravilhas. É um caminho destrutivo.
2. A mediocridade. Precisamos sempre buscar “ser mais”, desejar ser melhores do que somos, corrigir nossos defeitos e transformar a realidade. A mediocridade frustra tudo isso. Prefere-se o efêmero, a meia-ciência, a vida soft e light. A pessoa medíocre não quer saber de estudo, da participação, de transformação. Vive na alienação, contenta-se com o menos, não quer compromisso. Faz um “pacto com mediocridade”, isto é, com uma vida sem sacrifício, sem lutas, sem responsabilidade com muita indiferença e desinteresse. A pessoa medíocre é inimiga da disciplina e do sacrifício, gosta de gabar-se de seus pecados e de criticar e diminuir os outros. Desposa a superficialidade.
Podemos curar a mediocridade com a força de vontade, buscando convicções e conversão.

3. As omissões. Pecamos mais por omissão que por ação. Omissão é deixar de fazer o que devemos e podemos, como também, fazer mal o que podemos fazer de um modo bem melhor. A omissão é escape, fuga, desinteresse, irresponsabilidade. O mundo seria outro, se não fôssemos omissos e acomodados.

Podemos vencer as omissões adquirindo o senso de justiça, a sensibilidade pelos outros, a compaixão pelo irmão e principalmente a autenticidade. Existimos para ajudar o outro a “ser mais e melhor”.
 
4. O apego. A raiz do sofrimento moral é o apego. Nossas brigas, ciúmes, discórdias, divisões são frutos do apego. Quem é apegado vive numa prisão. É escravo da dependência. Não tem liberdade interior. Não é capaz de discernimento. O apego nos impele à posse dos outros, das coisas e de nós mesmos. Isso gera muito sofrimento porque precisamos defender nossos apegos. Quando perdemos o objeto do apego ficamos raivosos, tristes, decepcionados, porque somos escravos, dependentes, condicionados pelo apego.

O único caminho de libertar-se do apego, é abandonar o objeto de apego, cuja recompensa é a liberdade interior que significa, sermos livres do mal, para nos tornamos livres para a prática do bem. Vencemos o apego pela consciência do seu negativismo.

5. A preocupação. Ocupação sim, preocupação não. A preocupação antecipa problemas, aumenta as dificuldades, desgasta as pessoas e não resolve nenhum problema. O que resolve é a ocupação. Além de prejudicar a saúde, a preocupação dificulta a convivência, alimenta o negativismo, o stress, e agressividade. Resolvemos o problema da preocupação com a fé na Providencia Divina, com a previsão das soluções, com o bom senso e o discernimento. Mais solução, menos preocupação.
 
6. A idolatria. É tudo o que colocamos no lugar de Deus e endeusamos. Os grandes ídolos hoje são o poder, o prazer, o ter desordenados. No lugar de Deus, fabricamos deuses falsos, enganadores, opressores que são absolutizados como: sexo, drogas, bebidas, dinheiro, aparência, prestigio. Nossos ídolos são adorados, exaltados, divinizados e por isso mesmo nos escravizam. Há ídolos pequenos e grandes. Todo ídolo é falso, enganador, escravizador. Quem adora o Deus vivo e verdadeiro, obedece o mandamento do amor a Deus, busca crescer na fé, livra-se dos ídolos. Adorar em espírito e verdade, é o ensinamento de Jesus.

Fonte: Pastoral Familiar -
http://www.pastoralfamiliarcnbb.org.br/novo_site/artigos/artigo.asp?id=520

Leitura orante da Bíblia

No coração da revelação bíblica não está uma verdade abstrata, mas um Deus que fala, que se comunica, chama ao diálogo. “Os ídolos têm boca, mas não falam” (Sl 115,13). Deus fala de um modo e depois do outro, e não prestamos atenção” (Jó 33,14). Cada um de nós é interlocutor de Deus. Ele fala ao coração. Nós somos capazes de escuta, acolhida e resposta. Deus se torna nosso confidente. A Leitura Orante visa desenvolver essa relação amorosa de escuta à vontade de Deus revelada.
O Documento de Aparecida vem com nova motivação nos repropor este método tão antigo e sempre novo da Lectio Divina. Também o documento de preparação (Lineamenta) do Sínodo dos Bispos sobre “A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja”, lembra as palavras de João Paulo II: “É necessário que a escuta da Palavra de Deus se torne um encontro vital, na antiga e sempre válida tradição da Lectio Divina, que permite colher no texto bíblico a Palavra viva que interpela, orienta e plasma a existência”. Quatro passos vão nos ajudando neste encontro progressivo:
 
a)Leitura (lectio): O que nos diz o texto ? – Preciso começar respeitando o texto, sem forçar que ele me diga o que eu quero que diga. Ler com calma e atenção, sublinhando as palavras-chave, as ações, os verbos, os sujeitos. É bom observar os personagens, as imagens e as ações principais. Onde e quando se situa o relato? Que mensagem o texto queria passar aos ouvintes quando foi escrito? Entender, situar e respeitar a objetividade...
 
b) Meditação (meditatio): O que o texto diz para mim, para nós ? – É aqui que se busca aproximar a Palavra de Deus com a vida. Fico atento aos apelos, valores, atitudes, sentimentos que a leitura desperta. Confronto a mensagem com as situações de hoje e procuro iluminar essa história com a luz da Palavra. Algumas perguntas podem ajudar: Que situações de minha vida têm semelhança com as descritas no texto? Com que personagem me identifico? Quais são as reações diante do que Jesus fala, é e faz? Que apelo eu escuto e acolho da palavra ouvida?
 
c) Oração (oratio): O que esse encontro da palavra com a vida me leva a dizer a Deus ? – O que foi visto, ouvido, refletido, torna-se assunto de comunicação com Deus: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A meditação se transforma em oração, na qual manifesto a Deus, como um amigo com seu amigo, como o servo com seu Senhor. Louvo, agradeço, peço perdão e ajuda, adoro e suplico. Falo com Deus sobre o que se passa comigo e sobre o que desejo dele. Mais do que falar, procuro escutar, estar em sintonia com Ele na dinâmica da Aliança.
 
d) Contemplação (contemplatio): Para além das palavras e da razão – A contemplação tem caráter pessoal; nela procuro ir além do texto e chegar à presença do Senhor, que está atrás e dentro de cada página da Escritura. Deixo-me envolver pelo amor do Pai, a consolação do Espírito e a intimidade do Filho. A atitude receptiva é que deve prevalecer.
 
Diz o Cardeal Martini: “Aos poucos, a oração deixa de ser exercício da mente para tornar-se louvor, silêncio, diante daquele que nos foi revelado, que nos fala como amigo, como médico, como Salvador”. Deixo-me envolver pela presença de Deus. Deixo-me amar por Ele. Olho para Deus, amando-o. Contemplação é também perceber a presença de Deus nos acontecimentos, na história, nos outros e em tudo. Ela desenvolve em nós um novo olhar, um novo sentir, um novo modo de agir e reagir, um novo modo de perceber o mundo, as pessoas e a nós mesmos.

A Leitura Orante pode ser uma experiência pessoal. Porém, torna-se muito mais enriquecedora quando for um exercício comunitário.

Carta de Dom Bosco aos Jovens

''O demônio tem normalmente duas artimanhas principais para afastar da virtude os jovens."

A primeira consiste em persuadi-los de que o serviço de Deus exige uma vida triste sem nenhum divertimento nem prazer. Mas isto não é verdade, meus caros jovens. Eu vou lhes indicar um plano de vida cristã que poderá mantê-los alegres e contentes, fazendo-os conhecer ao mesmo tempo quais são os verdadeiros divertimentos e os verdadeiros prazeres, para que vocês possam exclamar com o santo profeta Davi: “Sirvamos ao Senhor na santa alegria''.

A segunda artimanha do demônio consiste em fazê-los conceber uma falsa esperança duma longa vida que permite converter-se na velhice ou na hora da morte. Prestem atenção, meus caros jovens, muitos se deixaram prender por esta mentira. Quem nos garante chegaremos à velhice? Se se tratasse de fazer um pacto com a morte e de esperar até então... Mas a vida e a morte estão entre as mãos de Deus que dispõe de tudo a seu bel-prazer.

E mesmo se Deus lhes concedesse uma longa vida, escutai, entretanto, sua advertência: “o caminho do homem começa na juventude, ele o segue na velhice até a morte”. Ou seja, se, jovens, começamos uma vida exemplar, seremos exemplares na idade adulta, nossa morte será santa e nos fará entrar na felicidade eterna.

Se, pelo contrário, os vícios começam a nos dominar desde a juventude, é muito provável que eles nos manterão em escravidão toda a nossa vida até a morte, triste prelúdio a uma eternidade terrível.

Para que esta infelicidade não lhes aconteça, eu lhes apresente um método vida alegre e fácil, mas que lhes bastará para se tornarem a consolação de seus pais, a honra de pátria de vocês, bom cidadãos da terra, em seguida felizes habitantes do céu...

Meus caros jovens, eu os amo de todo o meu coração e basta-me que vocês sejam para que eu os ame extraordinariamente. Eu lhes garanto que vocês encontrarão livros que lhes foram dirigidos por pessoas mais virtuosas e mais sábias que em muitos pontos, mas dificilmente vocês poderão encontrar algum que o ame mais que eu em Jesus Cristo e deseja mais a felicidade de vocês.

Conservem no coração o tesouro da virtude, porque possuindo-o vocês têm tudo, mas se o perderem, vocês se tornarão os homens mais infelizes do mundo. Que o Senhor esteja sempre com vocês e que Ele lhes conceda seguir os simples conselhos presentes, para que vocês possam aumentar a glória de Deus e obter a salvação da alma, fim supremo para o qual fomos criados. Que o Céu lhes dê longos anos de vida feliz e que o santo temor de Deus seja sempre a grande riqueza que os cumule de bens celestes aqui e por toda a eternidade.

Vivam contentes e que o Senhor esteja com vocês. Seu muito afeiçoado em Jesus Cristo.


Dom Bosco, presbítero

O Sacramento da Confirmação

Confirmação ou Crisma está intimamente associada ao Batismo como o segundo sacramento da iniciação cristã. O seu rito consiste na imposição das mãos e unção com óleo (Crisma) feita na fronte, enquanto se pronunciam as palavras: "Recebe, por este sinal, o dom do Espírito Santo."

Na Sagrada Escritura lê-se que os Apóstolos impunham as mãos aos fiéis batizados e estes recebiam o Espírito Santo (At 8, 14-17; At 19, 1-6), a espístola aos Hebreus alude a este costume (6, 1s). São Paulo, referindo-se à iniciação cristã, fala do seio do Espírito (2Cor 1, 21s; Ef 1, 13; 4, 30).
Na Igreja dos três primeiros séculos a unção com imposição das mãos e invocação do Espírito Santo era praticada logo após o Batismo, de modo que não se distingüia propriamente do rito batismal. Somente nos escritos dos doutores do século IV (São Cirilo de Jerusalém, + 387, e Santo Ambrósio, + 397) aparece nítida a diferença entre Crisma e Batismo.
O sentido da Crisma há de ser depreendido da sua matéria típica, que é o óleo. Antigamente, antes das competições esportivas, os atletas eram ungidos, a fim de obter mais agilidade física e êxito na luta. Ora, o cristão também é ungido para que possa assumir, com fortaleza de ânimo, a peleja do testemunho (martyrion, em grego) da fé dentro de um mundo que tenta seduzí-lo para o mal. A Crisma é, pois, uma confirmação do Batismo; supõe o cristão chegando a maturidade e devidamente instruído a respeito dos deveres que lhe incumbem como seguidor de Cristo; em conseqüência, a Igreja exige hoje uma preparação adequada para tal sacramento, de modo que marque realmente a vida do cristão. Este, conforme São Paulo, é um atleta de Cristo (1Cor 9, 24-27; Gl 5, 7; Fl 2, 16: 3, 12-14; 2Tm 2, 5: 4, 7; Hb 12,1) e um soldado do Senhor (2Tm 2, 3s; 1Tm 1, 18).
Verdade é que os cristãos já receberam o Espírito Santo no Batismo, "renascendo pela água e pelo Espírito" (Jo 3, 5); na Confirmação recebem-no em vista de novo efeito, ou seja, para exercer a militância cristã com fidelidade. Jesus mesmo, ao prometer o Espírito Santo, realçava os efeitos de coragem e decisão que o dom de Deus suscitaria nos discípulos: "Quando vos conduzirem... perante os principados... não vos preocupeis; o Espírito Santo vos ensinará naquele momento o que havereis de dizer" (Lc 12, 12). Ou ainda: "Recebereis a força do Espírito Santo e sereis minhas testemunhas... até os confins da terra" (At 1, 8). Assim o sacramento da Crisma deve ser proporcionalmente, para cada cristão, o que Pentecostes foi para os Apóstolos: aprofundamento da fé, nova compreenção do plano de Deus e compromisso mais coerente com o Senhor Jesus. 

Trabalhar procurando só a Deus

Ontem eu estava na casa de um bom padre e lá bati os olhos nestas palavras: Deus só!

Naquele momento meu olhar estava cheio de cansaço e minha mente repleta de jornadas exaustivas e dolorosas como tinha sido o dia de ontem; sobre aquele torvelinho de angustias e o zumbido confuso de tantos suspiros, parecia que a voz suave e amiga do meu anjo da guarda me viesse sussurrando: Deus só, ó alma desolada, Deus só!

Sobre o beiral de uma janela estava um vaso de flores; mais a frente estavam uns padres piedosos meditando e, mais para frente ainda um crucifixo, um crucifixo querido que me recordava anos belos e inesquecíveis; meu olhar cheio de dor foi se acabando lá aos pés do Senhor. Parecia que a minha alma ressurgisse e que uma voz de paz e de conforto descesse do Coração traspassado de Cristo e me convidasse a voar para o alto, a entregar para Deus minhas penas e rezar!

Silêncio doce e cheio de paz!... E no silêncio as palavras: Deus só!

Eu ia repetindo para mim mesmo: Deus só! Sentia uma atmosfera benéfica e calma inundando minha alma!... E foi então que vi dentro de mim as razões das angústias presentes: vi que ao invés de buscar no meu trabalho agradar só a Deus, eram anos e anos que eu andava mendigando os louvores humanos, vivia numa procura constante, num afadigar-se incessante querendo encontrar quem me visse, quem me aplaudisse... e concluí comigo mesmo: tenho que começar vida nova, vida nova agora mesmo: trabalhar buscando só a Deus, Deus só!


São Luis Orione