domingo, 12 de junho de 2011

O que a Igreja ensina sobre a homossexualidade

Em tempos de discussão sobre os direitos dos homossexuais, cabe lembrar o que a Igreja ensina sobre a homossexualidade:


Catecismo da Igreja Católica: CASTIDADE E HOMOSSEXUALIDADE


2357 A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. Sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves (Lv 18, 22. - Gn 19, 1-29. - Rm 1 24-27. - 1Cor 6, 9-10. - 1Tm 1, 10), a tradição sempre declarou que "os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados". São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum
podem ser aprovados.


2358 Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza.
Evitar -se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição.


2359 As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.

Portanto, o cristão deve amar os irmãos nesta condição configurando-se ao Jesus que ama a todos, sem distinção. Este Jesus, que da cruz olha para baixo, olha todos nós pecadores e ama incondicionalmente a cada um.
A Igreja nos ensina como proceder. Devemos sim estar contra o pecado, porém devemos amar e respeitar nossos irmãos.

Para aqueles que gostam de usar passagens da Escritura, cito uma advertência em Tg 4, 12: "Um só é o legislador e juiz: aquele que é capaz de salvar e fazer perecer. Tu, porém, quem és para julgares teu próximo?

O catequista

O catequista é chamado a ser testemunha de Jesus Cristo. Testemunhar não significa discursar sobre, mas viver intensamente o Evangelho configurando-se Àquele que primeiro nos amou e nos escolheu: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15, 16). Não se pode anunciar aquilo que ainda não se experimentou. O catequista precisa ter essa consciência de que a missão não é mérito seu, mas lhe foi confiada. Não se trata de realização pessoal, mas algo muito maior, ou seja, o catequista é um eleito de Deus para exercer esta vocação específica no seio da Igreja. Vocação esta que não pode ser vivida fora do contexto do amor.
Na Carta aos Gálatas encontramos o resumo de como deve ser a vida do catequista: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gl 2,20). O catequista precisa deixar-se seduzir a cada dia por Deus e envolver-se por seu amor infinito, ao ponto de já não viver por si mesmo, mas por Cristo.

domingo, 22 de maio de 2011

A Igreja e a Bíblia

Jesus confiou à Igreja por Ele fundada a sua mensagem. Esta foi pregada de viva voz em primeiro lugar, e só aos poucos foi sendo ocasionalmente consignada por escrito. Disto se segue que a Palavra de Deus escrita (Bíblia) é inseparável da Palavra oral, que a berçou e continua a ressoar viva dentro da Igreja.
A Bíblia nasceu dentro da Igreja, não para substituir a Tradição oral herdada dos Apóstolos, mas para cristalizar pontos importantes dessa Tradição. Isto significa que a interpretação da Bíblia deverá sempre levar em conta o ensinamento vivo da Igreja, sem o que, as páginas bíblicas podem ser distorcidas para fundamentar as proposições mais contraditórias. O exemplo mais expressivo de como não se pode separar a Bíblia da Tradição oral é o Canon ou Catálogo da Bíblia: como podemos saber que há livros inspirados por Deus e quais são esses livros? - A própria Bíblia não define o seu catálogo; somente a Tradição viva da Igreja o determina.

É certo que a Igreja não está acima da Escritura nem é uma fonte própria de Revelação, toca-lhe apenas a função de entregá-la aos fiéis e interpretá-la, com a assistência do Espírito Santo. Resumindo tais concepções, dizia muito oportunamente Santo Agostinho: "Eu não acreditaria nos evangelhos se não me movesse a isso a autoridade da Igreja Católica" (Contra ep. Manichael 5, 6)

A Virtude Teologal da Caridade

No luminoso esquema de São João da Cruz sobre a escalada do Monte Carmelo, o grande místico nos fala que, na vida natural, o homem vai além de si mesmo mediante o exercício de suas faculdades naturais, ou seja, através da inteligência, ele pensa; através da memória, ele recorda; através da vontade, ele quer. Pois bem, na escalada da vida sobrenatural, a alma ergue-se para Deus pelo impulso da graça santificante. Mas a graça santificante, por sua vez, age através de suas faculdades sobrenaturais, que são as virtudes teologais. Quer dizer, pela virtude teologal da fé o pensamento abre-se para o mistério de Deus; pela virtude teologal da esperança sua memória apóia-se em Deus; pela virtude teologal da caridade sua vontade se une com a vontade de Deus.Tanto fé como esperança são virtudes da terra, virtudes peregrinas, porquanto no céu, ao contemplarmos o mistério no qual agora acreditamos, e ao entrarmos na posse da bem-aventurança eterna, tanto a fé como a esperança já não tem mais objetivo. Firme e inabalável se eternizará a caridade, que é lei a do tempo e a delícia da eternidade.Enquanto virtudes do tempo, virtudes peregrinas, tanto e fé como a esperança orientam-se para a prática quotidiana da caridade, para a prática religiosa, oração e testemunho de vida. Daqui a tarefa diária do cristão fiel, tal como a formula São João da Cruz: “semear amor lá onde não há amor, a fim de colher amor”. Isto porque, como conclui o doutro místico: “Na tarde da vida, serás julgado no amor”. Quer dizer, serás julgado sobre o amor de Deus e aos irmãos, serás julgado pelo Amor e serás julgado com amor.

As duas asas da Caridade Teologal

Segundo a bela expressão de Paul Claudel, a Virtude Teologal da Caridade está dotada de “duas asas”, cujo bater ao uníssono assegura o movimento ascensional da vontade do cristão, no processo de sua união com a vontade de Deus.A primeira é a asa do “amor a Deus sobre todas as coisas”, a segunda é a asa do “amor ao próximo, por Deus”. Ambas constituem a tarefa fundamental do batizado em sua vida terrena, a caminho da glória celeste.
O duplo mandamento, que Cristo veio anunciar com a sua Palavra e assegurá-lo com o seu testemunho, sua Vida, sua Morte e Ressurreição, revela a amplidão do amor de Deus para conosco na pessoa de seu Divino Filho. Enquanto lei do tempo e delícia da eternidade, a Virtude Teologal da Caridade, à luz da palavra e do testemunho de Cristo, comporta três dimensões: primeira, o amor que “desce” de Deus até o homem; segunda, o amor que “sobe” do homem até Deus; terceira, o amor dos irmãos “entre si”. 
Estas três dimensões do amor evangélico são inseparáveis, síntese do grande mandamento do sermão da montanha.


Por Dom Dadeus Grings

O ateísmo contemporâneo

É fenômeno inédito em toda a história da humanidade.


Diversas são as modalidades do ateísmo moderno: vão de teoria filosófica (materialismo radical) até a atitude prática de quem ignora a Deus. Alguns sistemas ateus vêm a ser autenticas profissões de fé na matéria, à qual são atribuídos predicados divinos: a existência por si, a eternidade, a necessidade absoluta...

Na verdade o ateu não pode provar que Deus não existe; o ateísmo resulta de uma opção voluntária; o homem se faz ateu porque quer, não porque tenha a evidência de que o ateísmo é verdade.



Entre as causas do ateísmo contemporâneo assinala-se:



1. A exaltação do homem com sua razão e sua ciência. O mito da ciência, “chave para todos os problemas”, empolgou indevidamente muitas gerações;

2. A psicologia materialista, que reduz a religião a uma atitude meramente subjetiva e ocasional do ser humano, sem que lhe responda a realidade objetiva de Deus;

3. O hedonismo ou a tendência ao prazer, que tem aberto os caminhos da permissividade e vem embotando as consciências frente aos valores transcendentais;

4. A deturpação da doutrina e da vida cristãs por parte dos próprios cristãos.



Qual a resposta cristã para o fenômeno do ateísmo?



1. O homem foi feito para o Bem Absoluto e Infinito, que é Deus. É em Deus que o homem encontra a plena realização das suas aspirações, de modo que não há oposição entre o desenvolvimento dos valores humanos e o culto prestado a Deus. Carl Jung afirmava: “Entre todos os meus parentes na segunda metade da vida, isto é, tendo mais de trinta e cinco anos de vida, não houve um só cujo problema mais profundo não fosse constituído pela questão de sua atitude religiosa. Todos, em última instância, estavam doentes por ter perdido aquilo que uma religião viva sempre deu em todos os tempos a seus adeptos; e nenhum se curou realmente sem recobrar a atitude religiosa que lhe fosse própria”(extraído do livro de N. da Silveira, Jung, vida e obra, 6ª Ed., PP 141s).

2. O homem, dotado de anseios para a Verdade e para o Bem como tais, é para si mesmo um problema insolúvel; só Deus lhe pode dar a resposta cabal. O homem é grande demais em suas aspirações para contenta-se definitivamente com a resposta de alguma criatura. É como uma agulha magnética que, atraída pelo Norte, só encontra repouso quando se volta para este (Deus).

3. Sem esperança numa existência póstuma, a vida presente se torna incompreensível. De modo especial o problema do mal pede o além, no qual restaure a ordem e implante a justiça, que são constantemente burladas nesta terra; se não há nada após a morte este mundo se torna absurdo, porque nele a injustiça e desordem moral frequentemente prevalecem impunemente sobre o bem moral; a iniqüidade e o cinismo não podem ser as palavras finais da história.

Como remédio ao ateísmo o cristão deve propor:

1. Correta exposição doutrinaria. A mensagem da fé nada tem a recear por parte da ciência. Ao contrário, a pouca ciência pode afastar de Deus, ao passo que muita ciência leva a Deus. É preciso que os cristãos conheçam bem o que professam, não apresentando como proposições de fé o que de fato não integra a fé;

2. Coerente conduta de vida. É necessário que os fiéis ilustrem sua mensagem com um comportamento adequado. O mundo de hoje é muito sensível a sinceridade ou a coerência dos pregadores, de tal modo que a mais bela e verídica doutrina, quando apregoada por quem não a vive, pouco ou nada lhe significa.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A imortalidade da alma humana

A imortalidade decorre da espiritualidade da alma. Vejamos por quê:

1)      A natureza mesma da alma humana

A morte é a dissolução do ser vivo. Ora a alma não pode dissolver-se por si, porque não é composta de partes, mas é simples, como todo espírito é simples ou isento de composição. Por isto a alma humana, uma vez criada, subsiste para sempre, mesmo fora do corpo (do qual ela não depende para existir). Só poderia deixar de existir se Deus, que a criou, a quisesse aniquilar; todavia julga-se que Deus não aniquila nenhuma de suas criaturas (embora o possa), pois isto seria uma espécie de contradição; além disto, seria algo injusto, porque tornaria impossível a aplicação das sanções merecidas pelo ser humano nesta vida.
Concluímos, pois, que a alma humana é naturalmente imortal e não deixa de usufruir desta sua prerrogativa, pois Deus não subtrai às criaturas o que lhes outorgou como atributos próprios.

2)      O desejo natural

Todo homem deseja existir sem limites de duração. Este desejo se deriva da própria natureza do homem; não depende de alguma forma de cultura. Ora, tal desejo não pode ser frustrado ou vão; se o fosse, a natureza seria contraditória e absurda. Mais: ela suporia o Absurdo na sua origem, pois teria sido feita para a vida, e a vida sem fim, mas não teria a capacidade de usufruir da imortalidade. Por conseguinte, a alma humana há de ser imortal, a fim de poder fluir da plenitude da vida à qual ela naturalmente aspira.
Questiona-se, porém que, se tal argumento é válido para  alma, há de ser válido também para o homem  todo (composto de corpo e alma), pois o ser humano como tal deseja viver sempre.
Em resposta observemos: o desejo de imortalidade do homem (ou do composto de corpo e alma), embora seja natural, não é senão uma aspiração ineficaz, pois o composto humano tende naturalmente a desgastar-se; os órgãos corpóreos vão-se tornando ineptos para a vida, até estarem totalmente deteriorados. Nesse momento a alma separa-se do corpo. Ao contrário, o desejo de imortalidade da alma humana pode ser eficaz, pois a alma, não sendo composta, não se dissolve.
Sabemos, porém, pela fé, que o Senhor Deus quis conceber ao homem a ressurreição física, atendendo assim ao desejo natural de imortalidade do composto humano.

3)      A sanção da justiça

Todos nós aspiramos ardentemente a justiça. Contudo a justiça na vida presente é precária. Freqüentemente as pessoas retas são prejudicadas por praticarem o bem, ao passo que os iníquos são materialmente beneficiados pela perversão.
Ora, se a alma humana não fosse apta a sobreviver após a existência presente a fim de receber a sanção de seus atos, a justiça ficaria definitivamente prejudicada no caso de muitos homens. A história da humanidade terminaria com o triunfo (ao menos parcial) da injustiça e da desordem sobre a justiça e o bem. Ora, tais conseqüências suporiam um mundo absurdo e, na origem deste mundo, um princípio de contradição, conseqüências estas que não condizem com a ordem e a harmonia que se verificam em geral no universo. Daí é possível afirmar que a alma humana é por si imortal e, por conseguinte, apta a receber na vida póstuma a justa sanção, que muitas vezes na vida presente lhe é negada.
O que acaba de ser dito pode ser ilustrado pela verificação de certos fenômenos ocorrentes na natureza, que parecem excluir a frustração e o absurdo. Com efeito, se tenho olhos, é porque existe a luz, para o qual o olho é feito; se tenho ouvidos, é porque existem sons e melodias; se tenho pulmões, existe o ar que lhe corresponde; se tenho fome e sede, existem os alimentos de que preciso; se a agulha magnética se agita dentro da bússola, existe um pólo Norte (invisível sim, mas muito real) que o atrai. Analogamente se verifico em mim a sede espontânea e natural de certos valores ou mesmo do Infinito, posso estar certo de que tais valores e o Bem Infinito existem no Além, em correspondência a tais aspirações.

Assim se confirma a tese de que a alma humana é por si mesma imortal.

Fonte: meus estudos em Iniciação Teológica na Escola Mater Ecclesiae

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Caminho espiritual-pastoral para casais em segunda união

A Igreja não quer discriminar nem punir os casais em segunda união, mas sim, oferecer-lhes um caminho espiritual – pastoral adaptado à sua situação. Este caminho espiritual-pastoral é apontado claramente pela “Familiaris Consortio”. Este caminho pode ser chamado e é de fato um caminho espiritual-pastoral, muito rico de frutos espirituais de vida cristã, mesmo que o “status permanente” de segunda união e sem retorno seja uma situação “irregular”.


A Exortação Apostólica “Familiaris Consortio”, 1981, de João Paulo II, no n. 84, exorta os casais divorciados a participar de um caminho de vida cristã que deve consistir em:

“Ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência... que se resume em "perseverarem na oração, na penitência e na caridade".

A Exortação Apostólica “Sacramentum caritatis”, 2007, de Bento XVI, no n.29, reafirma o convite de cultivar, quanto possível: “Um estilo cristão de vida, através da participação da Santa Missa, ainda que sem receber a comunhão, da escuta da Palavra de Deus, da adoração Eucarística, da oração, da cooperação na vida comunitária, do diálogo franco com um sacerdote ou mestre de vida espiritual, da dedicação ao serviço da caridade, das obras de penitência, do empenho na educação dos filhos”.

1. A comunhão com a Palavra de Deus

Escutar é algo mais que ouvir. É atender ao que se diz. É ir assimilando e tornando pessoal o que foi dito. É algo ativo, não passivo. É uma abertura a Deus que a eles dirige a Sua Palavra. Por intermédio de Isaías ou de Paulo fala-lhes aqui e agora. Algumas vezes, esta Palavra os consola e os anima. Outras, julga suas atitudes e desautoriza seu estilo de vida, convidando-os para a conversão. Sempre os ilumina, os estimula e os alimenta.

A Palavra que Deus lhes dirige é sobretudo uma Pessoa: o Seu Verbo, a Sua Palavra, Jesus Cristo. Ele não se dá somente no Pão e no Vinho, mas está realmente presente na Palavra que nos é proclamada e que escutamos. Também a nós o Pai continua a dizer: “Este é o meu Filho muito amado: escutai-O”.

A leitura da Sagrada Escritura, acompanhada pela oração, estabelece um colóquio de familiaridade entre Deus e o homem, pois a Ele falamos quando rezamos, a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos” (DV 25). Este colóquio torna-se mais intenso pela “Lectio divina”, ou seja pela leitura meditada da Bíblia, que se prolonga na oração contemplativa. A Lectio é divina, porque se lê a Deus na Sua Palavra e com o Seu Espírito, pode ajudar os casais em segunda união na consecução de uma grande familiaridade não só com a Palavra, mas com o mesmo Deus.

2. A visita e a adoração ao Santíssimo Sacramento:

Jesus, sendo vivo e presente no Sacrário, pode ser visitado e adorado. Ele espera, ouve, conforta, anima, sustenta e cura. Por conseguinte, a visita e a adoração ao Santíssimo é um verdadeiro e íntimo encontro entre o visitante e o Visitado, que é Jesus. A visita e a adoração são uma escolha pessoal do visitante, e, acima de tudo, um ato de amor para com o Visitado. A simples visita ao Santíssimo transforma-se em adoração, que é o ponto mais alto desse encontro.

Os casais em segunda união são chamados e convidados para serem os adoradores do Santíssimo através da prática tradicional da hora santa, que muito os ajudará na espiritualidade, seja do grupo como também do próprio casal. A prática frequente da hora santa não é um opcional, por isso não se pode deixar facilmente de lado, pois ela é necessária para a perseverança.

3. A visita a Maria Santíssima: um conforto para o seu povo.

Se o próprio Jesus, moribundo na cruz, deu Maria como Mãe ao discípulo: “Mulher, eis aí teu filho” e a você discípulo como mãe: “eis aí, tua mãe!” (João 19, 26-27), é bom e recomendável que o casal em segunda união não tenha medo em fazer esta visita de carinho para receber conforto, força e consolação de sua Mãe. Essa visita pode ser feita numa capela dedicada a Virgem Maria ou em casa junto com a família ou na intimidade do seu quarto. Pensando nisso, é bom e confortável que o casal em segunda união não se esqueça de visitar, quantas vezes puder, Maria Santíssima.

Visitar Maria, a Mãe de Jesus, é ir ao seu encontro sem reservas, é entregar-se de coração a um coração que não tem limites para amar. Nossa Senhora em Medjugorie disse aos videntes e a nós seus filhos: “Se soubésseis quanto vos amo choraríeis de alegria”. Maria nos ama muito, como filhos queridos. O que ela mais deseja é ver seus filhos deixarem-se AMAR POR ELA. O seu desejo é o de seu Filho: salvar a todos. A Santíssima Virgem nos espera todos os dias, e ela sabe que quanto mais perto estivermos dela, mais perto ficaremos de Jesus, pois a sua meta é a de nos levar a Jesus.

4. Perseverança na Oração

O casal em segunda união é convidado para perseverar na oração. A oração pode ser pessoal, pode ser oração como casal ou como oração da família com os filhos, ou oração comunitária com os outros casais ou com outros fiéis.

5. Participação da Santa Missa: um encontro de amor.

O casal de segunda união, como todo bom cristão, considerando este amor infinito de Jesus, deve participar da Santa Missa com amor fervoroso, de modo particular no momento da consagração, pois é nesse momento que Jesus é vivo e presente.

Bento XVI, em recente discurso ao clero de Aosta, valoriza a participação dos casais recasados da Santa Missa mesmo sem a comunhão Eucarística. A esse respeito o Papa fez este lindo e confortável comentário:

“Uma Eucaristia sem a comunhão Eucarística não é certamente completa, pois lhe falta algo essencial. Todavia, é também verdade que participar na Eucaristia sem a comunhão Eucarística não é igual a nada, é sempre um estar envolvido no mistério da Cruz e da ressurreição de Cristo. É sempre uma participação no grande Sacramento, na dimensão espiritual, pneumática, e também, eclesial, se não estreitamente sacramental.

E dado que é o Sacramento da Paixão de Cristo, Cristo sofredor abraça de modo particular estas pessoas e comunica-se com elas de outra forma; portanto, elas podem sentir-se abraçadas pelo Senhor crucificado que cai por terra e sofre por elas e com elas.

Por conseguinte, é necessário fazer compreender que mesmo que, infelizmente, falte uma dimensão fundamental, todavia tais pessoas não devem ser excluídas do grande mistério da Eucaristia, do amor de Cristo aqui presente. Isso parece-me importante, como é importante que o pároco e a comunidade paroquial levem tais pessoas a sentir que, se por um lado, devemos respeitar a indissolubilidade do sacramento e, por outro, amamos as pessoas que sofrem também por nós. E devemos também sofrer juntamente com elas, porque dão um testemunho importante, a fim de que saibam que no momento em que se cede por amor, se comete injustiça ao próprio Sacramento, e a indissolubilidade parece cada vez mais menos verdadeira”.

O mesmo Sumo Pontífice também recorda que o sofrimento faz parte da vida humana e no caso dos casais em segunda união é “um sofrimento nobre”. O sofrimento é considerado, de uma certa maneira, como o oitavo sacramento.

Outros meios que auxiliam os casais em segunda união viver o caminho espiritual-pastoral:

A). Formação Pessoal e de Casal

É necessário para eles, como para todos os casais, uma formação pessoal e uma formação como casal, podendo participar da formação e da catequese que a paróquia ou outra realidade propõe para todos.

B). Grupos de Oração

O casal em segunda união tem a possibilidade de participar de grupos de famílias e de grupos de oração para a sua formação, como também para se ajudar mutuamente.

C). Obras de Caridade

O casal em segunda união, como todo cristão, deve empenhar-se nas obras de caridade organizadas pela paróquia ou por outras entidades, como voluntários... lembrando-se de que “a caridade cobre uma multidão dos pecados” (I Pedro 4,8).

D). Praticar a Justiça

O casal em segunda união pode e deve participar das iniciativas em favor da justiça.

E). Diálogo em família

O casal em segunda união como família procure viver o diálogo com os vários membros para que haja paz e colaboração; aceite fazer a vontade de Deus, sobretudo quando ela é difícil ou quando o sofrimento bater à sua porta; abra o seu coração aos parentes e aos vizinhos, aos colegas... especialmente em necessidade.

F). Viver no cotidiano a vida cristã

O casal em segunda união procure viver de maneira cristã a vida cotidiana no trabalho, em casa, no relacionamento com os vizinhos e com a sociedade: este é o caminho que os aproxima da salvação.

G). Um caminho espiritual valorizando a família.

O caminho de vida espiritual, comum a todos os casais, levará certamente o casal em segunda união a valorizar a importância da família também para o bem da sociedade; a valorizar a própria casa como lugar onde se constrói o Reino de Deus e se opera o bem imitando a Família de Nazaré.

Fonte: Exortação Apostólica “Familiaris Consortio”, 1981, de João Paulo II, no n. 84 (texto retirado da rede)
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Para colaborar com os casais em segunda união na Arquidiocese de Porto Alegre existe há 20 anos o Grupo Bom Pastor, um serviço da Pastoral Familiar, objetivando o acolhimento e a evangelização dos casais em segunda união, proporcionando-lhes uma caminhada de evangelização e de vida familiar cristã, mostrando-lhes sua pertença a Igreja, buscando integrá-los à comunidade paroquial e, com isso, atender os apelos do Papa João Paulo II – de feliz memória – no documento “Familiaris Consortio” nº 84.
O grupo Bom Pastor é pioneiríssimo na experiência do acolhimento e evangelização de casais em segunda união no Brasil. Surgiu em 20 de maio de 1993 na paróquia Menino Deus, em Porto Alegre, através do impulso do Espírito Santo pelo padre Luis Francisco Ledur e pela Irmã Angelina Della Rosa,, sendo aprovada pelo então Arcebispo de Porto Alegre, Dom Altamiro Rossato e ratificado posteriormente pelo seu sucessor Dom Dadeus Grings.
Foi apresentada e acolhida pela Comissão Regional da pastoral Familiar Sul 3 (1996), pela Comissão Nacional da Pastoral Familiar, pelos Seminários Nacionais de Assessores da Pastoral Familiar e Congressos Nacionais da Pastoral Familiar em 1996 e 2002, sendo considerado o mais “sério e mais maduro trabalho com casais em segunda união que se faz no Brasil”


A Família Cristã

A família, conforme o Papa Bento XVI constitui um patrimônio da humanidade. Vale, pois a pena investir nela. Em primeiro lugar, no seu valor de unidade e de amor. Depois, na situação de sua precariedade atual. Encontram-se casais de segunda união, com enormes problemas pela frente. Toca-se ali numa chaga pastoral que deixa angustiadas muitas pessoas e se enfrentam crises capazes de sacudir a própria estrutura da família. Sabemos que o ser humano não é apenas indivíduo, ou seja, o indivíduo humano constitui uma abstração. Não corresponde à realidade humana. Desconhece seus relacionamentos e suas circunstâncias. Na verdade, o ser humano é família. Atingir um de seus membros é afetar toda a família. Costuma ser mais dolorosa a perda de um membro da família que a amputação de um membro do próprio corpo. Viver, na realidade, é conviver, o que vale dizer que quem não convive também não vive humanamente.


Olhando o conspecto histórico dir-se-ia ser difícil definir o que seja a família. Pergunta-se, por isso, mais especificamente não o que os homens dizem ou pensam ser a família, mas o que Deus nos revelou a seu respeito. Podemos partir do modelo da Sagrada Família - José, Maria e Jesus - e ampliá-lo para seu parentesco, de modo a, semiticamente, se falar dos irmãos e irmãs de Jesus, para designar todo o envolvimento familiar. É casal que se transforma em pai e mãe; são filhos e, conseqüentemente, irmãos e demais parentes, de linha reta e colateral. Em síntese, a família é relação de amor: amor conjugal, amor paterno-materno para com os filhos; amor filial para com os pais e amor fraterno entre os irmãos, para classificar a múltipla e complexa relação familiar.

Falamos, em conseqüência, de um tríplice parentesco; de consangüinidade, quando envolve o DNA; afinidade, que resultado casamento, entre parentes de um lado com os do cônjuge; e de espiritualidade, produzido pelos sacramentos, através do apadrinhamento. O primeiro é, sem dúvida, indissolúvel porque se baseia no sangue. O segundo sofre os revezes da instabilidade dos laços matrimoniais, e o terceiro se prende à firmeza da fé. A revelação divina nos certifica da indissolubilidade do matrimônio. Liga-a ao Sacramento e, por isso, a torna símbolo da união indefectível entre Cristo e a Igreja. O casal cristão, ao contrair o matrimônio, recebe uma graça especial que o configura por este amor indissolúvel à relação que existe entre Cristo e a Igreja. Visibiliza assim o amor que Cristo tem pela Igreja e vice-versa. Não pode, pois, ser mentiroso nem infiel.

A Igreja assumiu a realidade terrestre do matrimônio em tal profundidade que a tornou critério da vivência cristã de seus membros. Não admite, em seu seio, uma união conjugal que não se conforme a este ditame. Considera toda tentativa de outro modelo de família uma negação da identidade cristã. De outro lado, porém, a mesma família tem consciência, expressa pelo Concílio Vaticano II, de ser, ao mesmo tempo, santa e pecadora. Compõe-se de membros pecadores, que necessitam continuidade da misericórdia divina. Passa, por isso, para a vanguarda da a parábola do Pai misericordioso, do Bom Pastor, do Perdão até setenta vezes sete. Não é, pois, de estranhar que acolha, com especial carinho e cora pastoral, os casais de segunda união. Sabe que enfrentam problemas. Inclina-se sobre eles como o Bom Samaritano, para colocar lenitivo sobre suas feridas. O Papa João Paulo II, em sua exortação apostólica Familiaris Consortio, exorta vivamente os pastores da Igreja e toda a comunidade eclesial a acolherem com carinho a estes casais e abrir-lhes espaço em seu seio.



Dom Dadeus Grings - Arcebispo de Porto Alegre

terça-feira, 3 de maio de 2011

Carta ao agentes de Música Litúrgica do Brasil

Brasília-DF, 25 de setembro de 2008 

 ML – C – Nº 0845/08
 

A liturgia ocupa um lugar central em toda a ação evangelizadora da Igreja. Ela é o “cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de onde emana toda a sua força” (SC 10). Nela, o discípulo realiza o mais íntimo encontro com seu Senhor e dela recebe a motivação e a força máximas para a sua missão na Igreja e no mundo (cf. DGAE nº 67).
 


Há uma relação muito profunda entre beleza e liturgia. Beleza não como mero esteticismo, mas como modalidade pela qual a verdade do amor de Deus em Cristo nos alcança, fascina e arrebata, fazendo-nos sair de nós mesmos e atraindo-nos assim para a nossa verdadeira vocação: o amor (cf. SCa 35). Unida ao espaço litúrgico, a música é genuína expressão de beleza, tem especial capacidade de atingir os corações e, na liturgia, grande eficácia pedagógica para levá-los a penetrar no mistério celebrado.
 

Acompanhamos, com entusiasmo e alegria, o florescer de grupos de canto e música litúrgica, grupos instrumentais e vocais, que exercem o importante ministério de zelar pela beleza e profundidade da liturgia através do canto e da música. Sua animação e criatividade encantam muitos daqueles que participam das celebrações litúrgicas em nossas comunidades. Ao soar dos primeiros acordes e ao canto da primeira nota, sentimos mais profundamente a presença de Deus.

Lembramos alguns aspectos importantes que contribuem para a grandeza do mistério celebrado.


1. A importância da letra na música litúrgica - a letra tem a primazia, a música está a seu serviço. A descoberta da beleza de um canto litúrgico passa necessariamente pela análise cuidadosa do conteúdo do texto e da poesia. A beleza estética não é o único critério. Muitas músicas cantadas em nossas liturgias estão distanciadas do contexto celebrativo. “Verdadeiramente, em liturgia, não podemos dizer que tanto vale um cântico como outro; é necessário evitar a improvisação genérica e o canto deve integrar-se na forma própria da celebração” (SCa 42). Não é possível cantar qualquer canto em qualquer momento ou em qualquer tempo. O canto “precisa estar intimamente vinculado ao rito, ou seja, ao momento celebrativo e ao tempo litúrgico” (DGAE 76). Antes de escolher um canto litúrgico é preciso aprofundar o sentido dos textos bíblicos, do tempo litúrgico, da festa celebrada e do momento ritual. 



2. A participação da assembléia no canto - o Concílio Vaticano II enfatiza a participação ativa, consciente, plena, frutuosa, externa e interna de todos os fiéis (cf. SC 14). O canto litúrgico não é propriedade particular de um cantor, animador, ou de um seleto grupo de cantores. A liturgia permite alguns momentos para solos (tanto vocais quanto instrumentais), porém a assembléia deve ter prioridade na execução dos cantos litúrgicos. O animador ou o cantor tem a importante missão, como elemento intrínseco ao serviço que presta à comunidade, de favorecer o canto da assembléia, ora sustentando, ora fazendo pequenos gestos de regência, contribuindo para a participação ativa de toda a comunidade celebrante.


3. Cuidado com o volume dos instrumentos e microfones - em muitas comunidades, o excessivo volume dos instrumentos, como também a grande quantidade de microfones para os cantores, às vezes, não contribuem para um mergulho no mistério celebrado, antes, provocam a agitação interior e a dispersão, além de inibir a participação da assembléia no canto. Pede-se cuidado com o volume do som, a fim de que as celebrações sejam mais orantes , pois tudo deve contribuir para a beleza do momento ritual. 


4. Cultivar uma espiritualidade litúrgica - os cantores e instrumentistas exercem um verdadeiro ministério litúrgico (SC 29). A celebração não é um momento para fazer um show, para apresentação de qualidades e aptidões. Os cantores e instrumentistas devem, antes de tudo, mergulhar no mistério, ouvir e acolher com a devida atenção a Palavra de Deus e participar intensamente de todos os momentos da celebração. Música litúrgica e espiritualidade litúrgica devem andar juntas, são duas asas de um mesmo vôo, duas nascentes de uma mesma fonte.



Invocamos as luzes do Espírito Santo sobre todos os agentes de música litúrgica de nosso país. Reconhecemos o valoro do ministério exercido a serviço de celebrações reveladoras da beleza suprema do Deus criador e da atualização do Mistério Pascal de Jesus Cristo.



D. Joviano de Lima Júnior, SSS
Arcebispo de Ribeirão Preto



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Nota: Sugiro a leitura do Documento nº 7 da CNBB que trata mais profundamente deste assunto: http://www.cnbb.org.br/site/component/docman/cat_view/134-documentos-cnbb?start=60

sábado, 30 de abril de 2011

O Espírito da Verdade

Jesus, o Mestre divino, mostrou como o mundo não é capaz de receber o Espírito da Verdade e deu o motivo: “porque não o vê nem o conhece” (Jo 14,17). O seguidor de Cristo, contudo, O conhece e eis a razão: ele permanece junto dos seus epígonos e está dentro deles. É esta realidade magnífica que precisa sempre e em toda parte ser vivida intensamente pelos batizados. Perceber a presença do Divino Espírito Santo e, muitas vezes, estar em tertúlia com Ele que habita no íntimo de cada um.

Esta idéia da presença de Deus é vital no Antigo e no Novo Testamento. No Gênesis Deus está no Jardim do Éden e no último livro, o Apocalipse, se lê, de novo, Deus vindo para morar com a humanidade. Esta realidade perpassa todo o Livro Sagrado. O povo de Deus era o povo da presença do Altíssimo, na tenda no deserto e, depois, mais tarde, no templo de Jerusalém. É em torno deste fato que o Livro do Êxodo está estruturado. Moisés encontra-se com Javé no Monte Sinai e recebe os Mandamentos. Anos depois Salomão construiu o templo no qual a glória do Senhor resplandeceu (1Reis 8,11).
 
No Novo Testamento São Paulo decodificou magnificamente esta doutrina e mostrou que Deus estava presente nos cristãos e empregou imagens do templo para descrever esta realidade. Assim asseverou aos Coríntios: “Vós não sabeis que sois o templo de Deus que o Espírito de Deus vive em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá, porque o templo de Deus é sagrado e vós sois este templo” (1 Cor 3,16-17). Isto significa que, vivendo no cristão, o Espírito da Verdade o transforma não exteriormente, mas interiormente, levando-o a uma experiência mística inefável. O tempo do fiel não é um tempo pobre, mas de uma riqueza espiritual imensa. Os bens futuros já se acham antecipados e a presença do Espírito permite compreender profundamente a Cristo, único caminho para o Pai. Diante da hostilidade do mundo os seguidores de Jesus estão expostos à dúvida, ao escândalo e ao desânimo. O Espírito, contudo, os ajuda e lhes explica sua condição feliz, afortunada, de estar sempre com Jesus. Espírito da Verdade, ele mostra aos seguidores de Cristo o erro do mundo, sua vaidade, sua inconsistência, dando perseverança na recusa do que é passageiro, ilusório. Oferece, então, a fortaleza para que tudo isto se realize na existência de cada um.
 
Isto é da mais alta importância para a espiritualização do cristão. Não basta receber Hóspede tão sublime, se uma vontade robusta não leva às últimas conseqüências tão benéfica presença. A fortaleza está a serviço da verdade, do direito, da submissão às inspirações divinas. De muita coragem precisa o batizado para viver em função do Espírito da Verdade, sendo santo e imaculado na sua presença. Sob suas luzes é vencida a pusilanimidade para caminhar na grande via da santidade. Este Espírito quer almas voltadas para o alto, vigorosas, que não hesitam diante do bem. Corações magnânimos que marcham resolutamente para a vida eterna. Isto supõe o cumprimento ininterrupto do dever de uma forma austera e com a máxima regularidade, sem tergiversações, longe, portanto, das negligências, das infidelidades.

Adite-se que o Espírito da Verdade leva então à paciência e à perseverança nas tribulações. Estas procedem das fraquezas humanas, das doenças, das incompreensões alheias. O ser pensante é contingente, limitado. É preciso então coragem para suportar tudo com um autodomínio absoluto que leva à imperturbabilidade, à serenidade. O Divino Espírito Santo dá esta fortaleza no batismo com a graça santificante, fortaleza acrescida, ainda mais, com a recepção do sacramento da crisma e com os muitos auxílios a cada instante, impedindo todo tipo de vacilação.

O Espírito da Verdade garante a vitória contra as forças do mal, gerando uma confiança absoluta no poder do Deus que mora lá no fundo do coração de cada um. O cristão, assim avigorado, pode repetir sempre com São Paulo: “Eu tudo posso naquele que me fortifica” (Fil 4,13). Quem vive em função do Espírito da Verdade constrói em si o homem interior, pois Ele conduz a uma espiritualidade profunda. Cumpre, entretanto, maleabilidade, pois o Espírito Santo é um artista divino que realiza uma obra prima, desde que não se coloquem óbices e se seja dócil, flexível, à sua ação.
 
Fonte: desconhecida.

A santificação do tempo

Olhando para o centro de nossa fé, o Mistério Pascal de Jesus Cristo, nele encontramos o sentido ou, se preferirmos, os fundamentos que proporcionam uma atmosfera e uma realidade de santificação de nosso tempo, saboreando a ação em favor de toda a Igreja: Corpo Místico de Cristo, Povo de Deus, Templo do Espírito Santo e Sacramento Universal de Salvação (cf. eclesiologia do Vaticano II).
A celebração do Mistério Pascal é a base para entendermos a santificação do Tempo. A ação divina perpassa a realidade humana e derrama sobre ela os seus dons, os seus frutos, o que ela essencialmente é: Comunhão. Temos a possibilidade de experimentar novamente a Aliança, agora Nova e Eterna. Somos resgatados e inseridos no Coração de Jesus Cristo, naquela porta que se abre do alto da cruz para adentrarmos ao eterno.
Nossa vida humana e eclesial (de Igreja, na Igreja e como Igreja) se desenvolve dentro de um Tempo que às vezes independe da vontade humana (chuva, sol, calor, frio, vento, dia e noite, manhã e tarde), de um Tempo no qual construímos nossa história: gravidez, nascimento, primeiros meses de vida, os cuidados da família, os primeiros passos, os primeiros tombos, os primeiros dentinhos, a fase de criança, a adolescência, a juventude, a maturidade, a terceira idade, a morte. Percorremos um ciclo existencial e vamos deixando as marcas, escrevendo o livro de nossa vida e por fim, pela nossa experiência com a realidade divina, acorremos ao Templo, à Igreja, à Comunidade para celebrar estes diversos momentos. Queremos na verdade agradecer a Deus por ter voltado o seu olhar para cada um de nós ao longo desta caminhada.
Sendo assim, como uma grande Assembléia dos Chamados, dos Escolhidos, membros da Comunidade do Ressuscitado, adentramos numa “pedagogia de formação de cristãos” : o Ano Litúrgico que, com seus Tempos Litúrgicos, transmite a sua extensa “carga” de significados espirituais, pelos quais podemos perceber que nossa história é santificada.
Dentro da pedagogia do ano litúrgico, a riqueza do conjunto de celebrações, textos bíblicos, sacramentos e sacramentais, a Igreja oferece-nos a possibilidade de vivenciarmos a “Páscoa do Cristo na Páscoa da gente e a Páscoa da gente na Páscoa de Cristo”. É importante lembrar que este mistério acontece também na vida de pessoas, homens, mulheres, crianças como nós e que hoje a Igreja proclama como Santos e Santas, mas não nasceram assim, foram construindo sua história de santificação pela graça divina e pela participação no projeto do Reino de Deus.
Ao fazermos a experiência dos Tempos Litúrgicos podemos recolher deles os elementos ou, no sentido figurado, os tijolinhos que vamos colocando na estrada de nossa vida, na busca pela santificação. É preciso entender que nesta pedagogia cristã alimentamo-nos com os sinais sensíveis, com a teologia expressa pelo próprio rito, pela música, pela Palavra proclamada, pela organização do próprio espaço celebrativo, pelo Corpo e Sangue oferecidos e repartidos na Assembléia Litúrgica.
No Tempo Comum, tempo de caminhada pedagógica, podemos experimentar o mistério pascal de Cristo. Período de 33 ou 34 domingos, divididos em duas grandes partes: nas Semanas que ocorrem depois do Batismo do Senhor até a Quarta-feira de Cinzas e da Segunda-feira depois de Pentecostes até o Começo do Advento. A cada domingo bebemos profundamente deste mistério de amor e por isso fazemos uma experiência mistagógica de nossa fé.
Caminhamos com o Cristo através dos sinais, dos elementos fundacionais (chamado, constituição da comunidade dos 12 apóstolos, entre outros), dos gestos e atitudes que manifestam o projeto salvífico e a implantação do Reino.
Nesta descoberta dos elementos cristológicos e eclesiológicos, vemos que os mesmos se manifestam ainda nas próprias Festas do Senhor, de Maria e dos Santos e Santas que acontecem dentro deste Tempo Comum. Contemplamos Maria como ícone da Igreja, nela se manifesta aquilo que Deus reserva à pessoa humana. Nos Santos e Santas de Deus contemplamos a concretização do Mistério Pascal de Jesus Cristo. Tornam-se para nós testemunhas do Amor e do Projeto do Pai em favor da humanidade.
O caminho está apontado. Distante de nós? Acredito que não. A experiência mística é possível no cotidiano de nossa vida alimentada e fortalecida pela nossa Páscoa Semanal (Eucaristia Dominical: mesa da Palavra e do Sacrifício). Que a pedagogia do Ano litúrgico possa nos ajudar a fazer uma autêntica experiência do Homem de Nazaré e do Cristo pela Igreja, com a Igreja e como Igreja. Que percorrendo este caminho possamos ser santificados pela graça divina e nos tornarmos testemunhas autênticas do Mistério Pascal.

fonte:
http://www.cnbb.org.br/documento_geral/Ficha14Asantificacaodotempo.doc

Seis perigos

1. A rotina. Nada pior para um casal, um sacerdote, uma liderança, uma autoridade a rotina. E por quê? Porque envelhece e mata a vida, impede a esperança e a criatividade. A pessoa rotineira abraça a mesmice, o conformismo, a facilidade e a indiferença. Tudo se torna sem sentido e sem valor, sem interioridade. É o pecado capital da preguiça. A rotina torna a vida sem graça, monótona, sem expectativa de melhora e de transformação. A rotina é a morte do cotidiano, o desprezo dos valores e das maravilhas. É um caminho destrutivo.
2. A mediocridade. Precisamos sempre buscar “ser mais”, desejar ser melhores do que somos, corrigir nossos defeitos e transformar a realidade. A mediocridade frustra tudo isso. Prefere-se o efêmero, a meia-ciência, a vida soft e light. A pessoa medíocre não quer saber de estudo, da participação, de transformação. Vive na alienação, contenta-se com o menos, não quer compromisso. Faz um “pacto com mediocridade”, isto é, com uma vida sem sacrifício, sem lutas, sem responsabilidade com muita indiferença e desinteresse. A pessoa medíocre é inimiga da disciplina e do sacrifício, gosta de gabar-se de seus pecados e de criticar e diminuir os outros. Desposa a superficialidade.
Podemos curar a mediocridade com a força de vontade, buscando convicções e conversão.

3. As omissões. Pecamos mais por omissão que por ação. Omissão é deixar de fazer o que devemos e podemos, como também, fazer mal o que podemos fazer de um modo bem melhor. A omissão é escape, fuga, desinteresse, irresponsabilidade. O mundo seria outro, se não fôssemos omissos e acomodados.

Podemos vencer as omissões adquirindo o senso de justiça, a sensibilidade pelos outros, a compaixão pelo irmão e principalmente a autenticidade. Existimos para ajudar o outro a “ser mais e melhor”.
 
4. O apego. A raiz do sofrimento moral é o apego. Nossas brigas, ciúmes, discórdias, divisões são frutos do apego. Quem é apegado vive numa prisão. É escravo da dependência. Não tem liberdade interior. Não é capaz de discernimento. O apego nos impele à posse dos outros, das coisas e de nós mesmos. Isso gera muito sofrimento porque precisamos defender nossos apegos. Quando perdemos o objeto do apego ficamos raivosos, tristes, decepcionados, porque somos escravos, dependentes, condicionados pelo apego.

O único caminho de libertar-se do apego, é abandonar o objeto de apego, cuja recompensa é a liberdade interior que significa, sermos livres do mal, para nos tornamos livres para a prática do bem. Vencemos o apego pela consciência do seu negativismo.

5. A preocupação. Ocupação sim, preocupação não. A preocupação antecipa problemas, aumenta as dificuldades, desgasta as pessoas e não resolve nenhum problema. O que resolve é a ocupação. Além de prejudicar a saúde, a preocupação dificulta a convivência, alimenta o negativismo, o stress, e agressividade. Resolvemos o problema da preocupação com a fé na Providencia Divina, com a previsão das soluções, com o bom senso e o discernimento. Mais solução, menos preocupação.
 
6. A idolatria. É tudo o que colocamos no lugar de Deus e endeusamos. Os grandes ídolos hoje são o poder, o prazer, o ter desordenados. No lugar de Deus, fabricamos deuses falsos, enganadores, opressores que são absolutizados como: sexo, drogas, bebidas, dinheiro, aparência, prestigio. Nossos ídolos são adorados, exaltados, divinizados e por isso mesmo nos escravizam. Há ídolos pequenos e grandes. Todo ídolo é falso, enganador, escravizador. Quem adora o Deus vivo e verdadeiro, obedece o mandamento do amor a Deus, busca crescer na fé, livra-se dos ídolos. Adorar em espírito e verdade, é o ensinamento de Jesus.

Fonte: Pastoral Familiar -
http://www.pastoralfamiliarcnbb.org.br/novo_site/artigos/artigo.asp?id=520

Leitura orante da Bíblia

No coração da revelação bíblica não está uma verdade abstrata, mas um Deus que fala, que se comunica, chama ao diálogo. “Os ídolos têm boca, mas não falam” (Sl 115,13). Deus fala de um modo e depois do outro, e não prestamos atenção” (Jó 33,14). Cada um de nós é interlocutor de Deus. Ele fala ao coração. Nós somos capazes de escuta, acolhida e resposta. Deus se torna nosso confidente. A Leitura Orante visa desenvolver essa relação amorosa de escuta à vontade de Deus revelada.
O Documento de Aparecida vem com nova motivação nos repropor este método tão antigo e sempre novo da Lectio Divina. Também o documento de preparação (Lineamenta) do Sínodo dos Bispos sobre “A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja”, lembra as palavras de João Paulo II: “É necessário que a escuta da Palavra de Deus se torne um encontro vital, na antiga e sempre válida tradição da Lectio Divina, que permite colher no texto bíblico a Palavra viva que interpela, orienta e plasma a existência”. Quatro passos vão nos ajudando neste encontro progressivo:
 
a)Leitura (lectio): O que nos diz o texto ? – Preciso começar respeitando o texto, sem forçar que ele me diga o que eu quero que diga. Ler com calma e atenção, sublinhando as palavras-chave, as ações, os verbos, os sujeitos. É bom observar os personagens, as imagens e as ações principais. Onde e quando se situa o relato? Que mensagem o texto queria passar aos ouvintes quando foi escrito? Entender, situar e respeitar a objetividade...
 
b) Meditação (meditatio): O que o texto diz para mim, para nós ? – É aqui que se busca aproximar a Palavra de Deus com a vida. Fico atento aos apelos, valores, atitudes, sentimentos que a leitura desperta. Confronto a mensagem com as situações de hoje e procuro iluminar essa história com a luz da Palavra. Algumas perguntas podem ajudar: Que situações de minha vida têm semelhança com as descritas no texto? Com que personagem me identifico? Quais são as reações diante do que Jesus fala, é e faz? Que apelo eu escuto e acolho da palavra ouvida?
 
c) Oração (oratio): O que esse encontro da palavra com a vida me leva a dizer a Deus ? – O que foi visto, ouvido, refletido, torna-se assunto de comunicação com Deus: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A meditação se transforma em oração, na qual manifesto a Deus, como um amigo com seu amigo, como o servo com seu Senhor. Louvo, agradeço, peço perdão e ajuda, adoro e suplico. Falo com Deus sobre o que se passa comigo e sobre o que desejo dele. Mais do que falar, procuro escutar, estar em sintonia com Ele na dinâmica da Aliança.
 
d) Contemplação (contemplatio): Para além das palavras e da razão – A contemplação tem caráter pessoal; nela procuro ir além do texto e chegar à presença do Senhor, que está atrás e dentro de cada página da Escritura. Deixo-me envolver pelo amor do Pai, a consolação do Espírito e a intimidade do Filho. A atitude receptiva é que deve prevalecer.
 
Diz o Cardeal Martini: “Aos poucos, a oração deixa de ser exercício da mente para tornar-se louvor, silêncio, diante daquele que nos foi revelado, que nos fala como amigo, como médico, como Salvador”. Deixo-me envolver pela presença de Deus. Deixo-me amar por Ele. Olho para Deus, amando-o. Contemplação é também perceber a presença de Deus nos acontecimentos, na história, nos outros e em tudo. Ela desenvolve em nós um novo olhar, um novo sentir, um novo modo de agir e reagir, um novo modo de perceber o mundo, as pessoas e a nós mesmos.

A Leitura Orante pode ser uma experiência pessoal. Porém, torna-se muito mais enriquecedora quando for um exercício comunitário.

Carta de Dom Bosco aos Jovens

''O demônio tem normalmente duas artimanhas principais para afastar da virtude os jovens."

A primeira consiste em persuadi-los de que o serviço de Deus exige uma vida triste sem nenhum divertimento nem prazer. Mas isto não é verdade, meus caros jovens. Eu vou lhes indicar um plano de vida cristã que poderá mantê-los alegres e contentes, fazendo-os conhecer ao mesmo tempo quais são os verdadeiros divertimentos e os verdadeiros prazeres, para que vocês possam exclamar com o santo profeta Davi: “Sirvamos ao Senhor na santa alegria''.

A segunda artimanha do demônio consiste em fazê-los conceber uma falsa esperança duma longa vida que permite converter-se na velhice ou na hora da morte. Prestem atenção, meus caros jovens, muitos se deixaram prender por esta mentira. Quem nos garante chegaremos à velhice? Se se tratasse de fazer um pacto com a morte e de esperar até então... Mas a vida e a morte estão entre as mãos de Deus que dispõe de tudo a seu bel-prazer.

E mesmo se Deus lhes concedesse uma longa vida, escutai, entretanto, sua advertência: “o caminho do homem começa na juventude, ele o segue na velhice até a morte”. Ou seja, se, jovens, começamos uma vida exemplar, seremos exemplares na idade adulta, nossa morte será santa e nos fará entrar na felicidade eterna.

Se, pelo contrário, os vícios começam a nos dominar desde a juventude, é muito provável que eles nos manterão em escravidão toda a nossa vida até a morte, triste prelúdio a uma eternidade terrível.

Para que esta infelicidade não lhes aconteça, eu lhes apresente um método vida alegre e fácil, mas que lhes bastará para se tornarem a consolação de seus pais, a honra de pátria de vocês, bom cidadãos da terra, em seguida felizes habitantes do céu...

Meus caros jovens, eu os amo de todo o meu coração e basta-me que vocês sejam para que eu os ame extraordinariamente. Eu lhes garanto que vocês encontrarão livros que lhes foram dirigidos por pessoas mais virtuosas e mais sábias que em muitos pontos, mas dificilmente vocês poderão encontrar algum que o ame mais que eu em Jesus Cristo e deseja mais a felicidade de vocês.

Conservem no coração o tesouro da virtude, porque possuindo-o vocês têm tudo, mas se o perderem, vocês se tornarão os homens mais infelizes do mundo. Que o Senhor esteja sempre com vocês e que Ele lhes conceda seguir os simples conselhos presentes, para que vocês possam aumentar a glória de Deus e obter a salvação da alma, fim supremo para o qual fomos criados. Que o Céu lhes dê longos anos de vida feliz e que o santo temor de Deus seja sempre a grande riqueza que os cumule de bens celestes aqui e por toda a eternidade.

Vivam contentes e que o Senhor esteja com vocês. Seu muito afeiçoado em Jesus Cristo.


Dom Bosco, presbítero

O Sacramento da Confirmação

Confirmação ou Crisma está intimamente associada ao Batismo como o segundo sacramento da iniciação cristã. O seu rito consiste na imposição das mãos e unção com óleo (Crisma) feita na fronte, enquanto se pronunciam as palavras: "Recebe, por este sinal, o dom do Espírito Santo."

Na Sagrada Escritura lê-se que os Apóstolos impunham as mãos aos fiéis batizados e estes recebiam o Espírito Santo (At 8, 14-17; At 19, 1-6), a espístola aos Hebreus alude a este costume (6, 1s). São Paulo, referindo-se à iniciação cristã, fala do seio do Espírito (2Cor 1, 21s; Ef 1, 13; 4, 30).
Na Igreja dos três primeiros séculos a unção com imposição das mãos e invocação do Espírito Santo era praticada logo após o Batismo, de modo que não se distingüia propriamente do rito batismal. Somente nos escritos dos doutores do século IV (São Cirilo de Jerusalém, + 387, e Santo Ambrósio, + 397) aparece nítida a diferença entre Crisma e Batismo.
O sentido da Crisma há de ser depreendido da sua matéria típica, que é o óleo. Antigamente, antes das competições esportivas, os atletas eram ungidos, a fim de obter mais agilidade física e êxito na luta. Ora, o cristão também é ungido para que possa assumir, com fortaleza de ânimo, a peleja do testemunho (martyrion, em grego) da fé dentro de um mundo que tenta seduzí-lo para o mal. A Crisma é, pois, uma confirmação do Batismo; supõe o cristão chegando a maturidade e devidamente instruído a respeito dos deveres que lhe incumbem como seguidor de Cristo; em conseqüência, a Igreja exige hoje uma preparação adequada para tal sacramento, de modo que marque realmente a vida do cristão. Este, conforme São Paulo, é um atleta de Cristo (1Cor 9, 24-27; Gl 5, 7; Fl 2, 16: 3, 12-14; 2Tm 2, 5: 4, 7; Hb 12,1) e um soldado do Senhor (2Tm 2, 3s; 1Tm 1, 18).
Verdade é que os cristãos já receberam o Espírito Santo no Batismo, "renascendo pela água e pelo Espírito" (Jo 3, 5); na Confirmação recebem-no em vista de novo efeito, ou seja, para exercer a militância cristã com fidelidade. Jesus mesmo, ao prometer o Espírito Santo, realçava os efeitos de coragem e decisão que o dom de Deus suscitaria nos discípulos: "Quando vos conduzirem... perante os principados... não vos preocupeis; o Espírito Santo vos ensinará naquele momento o que havereis de dizer" (Lc 12, 12). Ou ainda: "Recebereis a força do Espírito Santo e sereis minhas testemunhas... até os confins da terra" (At 1, 8). Assim o sacramento da Crisma deve ser proporcionalmente, para cada cristão, o que Pentecostes foi para os Apóstolos: aprofundamento da fé, nova compreenção do plano de Deus e compromisso mais coerente com o Senhor Jesus.