terça-feira, 15 de maio de 2012

Aspectos Característicos da Espiritualidade Orionita

Somos herdeiros dos quatro grandes amores de Dom Orione: Jesus, Maria, Papa, Almas.


1- JESUS: "Só Ele é a fonte viva de fé e de caridade que pode restaurar e renovar o homem e a sociedade"

2- MARIA: "a quem veneramos e proclamamos como nossa Mãe e celeste Fundadora da Pequena Obra"

3- PAPA: "o Papa é o vigário de Jesus Cristo nosso Deus e Redentor, é o 'doce Cristo na Terra', como o chamou Santa Catarina de Sena; é o nosso guia seguro, é o nosso Mestre infalível, é o nosso verdadeiro Pai".

4- ALMAS: " Almas e Almas! Eis toda a nossa vida; eis o nosso grito, o nosso programa, toda a nossa alma, todo o nosso coração".

Reconhecemos como aspecto característicos da nossa espiritualidade: 
* o empenho na caridade que salvará o mundo ( só a caridade salvará o mundo); 
* a operosa confiança na Divina Providência; o amor à Eucaristia, a Cristo Crucificado, a Nossa Senhora, à Igreja e ao Papa; 
* a valorização e o respeito pela pessoa, com a atenção aos pobres mais pobres, aos últimos e aos mais distantes; 
* o espírito de pobreza evangélica e de família; 
* a missionariedade e a paixão pela unidade;
* o otimismo na fé, a alegria, a humildade, a simplicidade, a esperança, a acolhida, a partilha e o espírito de adaptação à fadiga; 
* a iniciativa, a disponibilidade e a atenção às novas formas de pobreza.


domingo, 12 de junho de 2011

O que a Igreja ensina sobre a homossexualidade

Em tempos de discussão sobre os direitos dos homossexuais, cabe lembrar o que a Igreja ensina sobre a homossexualidade:


Catecismo da Igreja Católica: CASTIDADE E HOMOSSEXUALIDADE


2357 A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. Sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves (Lv 18, 22. - Gn 19, 1-29. - Rm 1 24-27. - 1Cor 6, 9-10. - 1Tm 1, 10), a tradição sempre declarou que "os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados". São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum
podem ser aprovados.


2358 Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza.
Evitar -se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição.


2359 As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.

Portanto, o cristão deve amar os irmãos nesta condição configurando-se ao Jesus que ama a todos, sem distinção. Este Jesus, que da cruz olha para baixo, olha todos nós pecadores e ama incondicionalmente a cada um.
A Igreja nos ensina como proceder. Devemos sim estar contra o pecado, porém devemos amar e respeitar nossos irmãos.

Para aqueles que gostam de usar passagens da Escritura, cito uma advertência em Tg 4, 12: "Um só é o legislador e juiz: aquele que é capaz de salvar e fazer perecer. Tu, porém, quem és para julgares teu próximo?

O catequista

O catequista é chamado a ser testemunha de Jesus Cristo. Testemunhar não significa discursar sobre, mas viver intensamente o Evangelho configurando-se Àquele que primeiro nos amou e nos escolheu: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15, 16). Não se pode anunciar aquilo que ainda não se experimentou. O catequista precisa ter essa consciência de que a missão não é mérito seu, mas lhe foi confiada. Não se trata de realização pessoal, mas algo muito maior, ou seja, o catequista é um eleito de Deus para exercer esta vocação específica no seio da Igreja. Vocação esta que não pode ser vivida fora do contexto do amor.
Na Carta aos Gálatas encontramos o resumo de como deve ser a vida do catequista: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gl 2,20). O catequista precisa deixar-se seduzir a cada dia por Deus e envolver-se por seu amor infinito, ao ponto de já não viver por si mesmo, mas por Cristo.

domingo, 22 de maio de 2011

A Igreja e a Bíblia

Jesus confiou à Igreja por Ele fundada a sua mensagem. Esta foi pregada de viva voz em primeiro lugar, e só aos poucos foi sendo ocasionalmente consignada por escrito. Disto se segue que a Palavra de Deus escrita (Bíblia) é inseparável da Palavra oral, que a berçou e continua a ressoar viva dentro da Igreja.
A Bíblia nasceu dentro da Igreja, não para substituir a Tradição oral herdada dos Apóstolos, mas para cristalizar pontos importantes dessa Tradição. Isto significa que a interpretação da Bíblia deverá sempre levar em conta o ensinamento vivo da Igreja, sem o que, as páginas bíblicas podem ser distorcidas para fundamentar as proposições mais contraditórias. O exemplo mais expressivo de como não se pode separar a Bíblia da Tradição oral é o Canon ou Catálogo da Bíblia: como podemos saber que há livros inspirados por Deus e quais são esses livros? - A própria Bíblia não define o seu catálogo; somente a Tradição viva da Igreja o determina.

É certo que a Igreja não está acima da Escritura nem é uma fonte própria de Revelação, toca-lhe apenas a função de entregá-la aos fiéis e interpretá-la, com a assistência do Espírito Santo. Resumindo tais concepções, dizia muito oportunamente Santo Agostinho: "Eu não acreditaria nos evangelhos se não me movesse a isso a autoridade da Igreja Católica" (Contra ep. Manichael 5, 6)

A Virtude Teologal da Caridade

No luminoso esquema de São João da Cruz sobre a escalada do Monte Carmelo, o grande místico nos fala que, na vida natural, o homem vai além de si mesmo mediante o exercício de suas faculdades naturais, ou seja, através da inteligência, ele pensa; através da memória, ele recorda; através da vontade, ele quer. Pois bem, na escalada da vida sobrenatural, a alma ergue-se para Deus pelo impulso da graça santificante. Mas a graça santificante, por sua vez, age através de suas faculdades sobrenaturais, que são as virtudes teologais. Quer dizer, pela virtude teologal da fé o pensamento abre-se para o mistério de Deus; pela virtude teologal da esperança sua memória apóia-se em Deus; pela virtude teologal da caridade sua vontade se une com a vontade de Deus.Tanto fé como esperança são virtudes da terra, virtudes peregrinas, porquanto no céu, ao contemplarmos o mistério no qual agora acreditamos, e ao entrarmos na posse da bem-aventurança eterna, tanto a fé como a esperança já não tem mais objetivo. Firme e inabalável se eternizará a caridade, que é lei a do tempo e a delícia da eternidade.Enquanto virtudes do tempo, virtudes peregrinas, tanto e fé como a esperança orientam-se para a prática quotidiana da caridade, para a prática religiosa, oração e testemunho de vida. Daqui a tarefa diária do cristão fiel, tal como a formula São João da Cruz: “semear amor lá onde não há amor, a fim de colher amor”. Isto porque, como conclui o doutro místico: “Na tarde da vida, serás julgado no amor”. Quer dizer, serás julgado sobre o amor de Deus e aos irmãos, serás julgado pelo Amor e serás julgado com amor.

As duas asas da Caridade Teologal

Segundo a bela expressão de Paul Claudel, a Virtude Teologal da Caridade está dotada de “duas asas”, cujo bater ao uníssono assegura o movimento ascensional da vontade do cristão, no processo de sua união com a vontade de Deus.A primeira é a asa do “amor a Deus sobre todas as coisas”, a segunda é a asa do “amor ao próximo, por Deus”. Ambas constituem a tarefa fundamental do batizado em sua vida terrena, a caminho da glória celeste.
O duplo mandamento, que Cristo veio anunciar com a sua Palavra e assegurá-lo com o seu testemunho, sua Vida, sua Morte e Ressurreição, revela a amplidão do amor de Deus para conosco na pessoa de seu Divino Filho. Enquanto lei do tempo e delícia da eternidade, a Virtude Teologal da Caridade, à luz da palavra e do testemunho de Cristo, comporta três dimensões: primeira, o amor que “desce” de Deus até o homem; segunda, o amor que “sobe” do homem até Deus; terceira, o amor dos irmãos “entre si”. 
Estas três dimensões do amor evangélico são inseparáveis, síntese do grande mandamento do sermão da montanha.


Por Dom Dadeus Grings

O ateísmo contemporâneo

É fenômeno inédito em toda a história da humanidade.


Diversas são as modalidades do ateísmo moderno: vão de teoria filosófica (materialismo radical) até a atitude prática de quem ignora a Deus. Alguns sistemas ateus vêm a ser autenticas profissões de fé na matéria, à qual são atribuídos predicados divinos: a existência por si, a eternidade, a necessidade absoluta...

Na verdade o ateu não pode provar que Deus não existe; o ateísmo resulta de uma opção voluntária; o homem se faz ateu porque quer, não porque tenha a evidência de que o ateísmo é verdade.



Entre as causas do ateísmo contemporâneo assinala-se:



1. A exaltação do homem com sua razão e sua ciência. O mito da ciência, “chave para todos os problemas”, empolgou indevidamente muitas gerações;

2. A psicologia materialista, que reduz a religião a uma atitude meramente subjetiva e ocasional do ser humano, sem que lhe responda a realidade objetiva de Deus;

3. O hedonismo ou a tendência ao prazer, que tem aberto os caminhos da permissividade e vem embotando as consciências frente aos valores transcendentais;

4. A deturpação da doutrina e da vida cristãs por parte dos próprios cristãos.



Qual a resposta cristã para o fenômeno do ateísmo?



1. O homem foi feito para o Bem Absoluto e Infinito, que é Deus. É em Deus que o homem encontra a plena realização das suas aspirações, de modo que não há oposição entre o desenvolvimento dos valores humanos e o culto prestado a Deus. Carl Jung afirmava: “Entre todos os meus parentes na segunda metade da vida, isto é, tendo mais de trinta e cinco anos de vida, não houve um só cujo problema mais profundo não fosse constituído pela questão de sua atitude religiosa. Todos, em última instância, estavam doentes por ter perdido aquilo que uma religião viva sempre deu em todos os tempos a seus adeptos; e nenhum se curou realmente sem recobrar a atitude religiosa que lhe fosse própria”(extraído do livro de N. da Silveira, Jung, vida e obra, 6ª Ed., PP 141s).

2. O homem, dotado de anseios para a Verdade e para o Bem como tais, é para si mesmo um problema insolúvel; só Deus lhe pode dar a resposta cabal. O homem é grande demais em suas aspirações para contenta-se definitivamente com a resposta de alguma criatura. É como uma agulha magnética que, atraída pelo Norte, só encontra repouso quando se volta para este (Deus).

3. Sem esperança numa existência póstuma, a vida presente se torna incompreensível. De modo especial o problema do mal pede o além, no qual restaure a ordem e implante a justiça, que são constantemente burladas nesta terra; se não há nada após a morte este mundo se torna absurdo, porque nele a injustiça e desordem moral frequentemente prevalecem impunemente sobre o bem moral; a iniqüidade e o cinismo não podem ser as palavras finais da história.

Como remédio ao ateísmo o cristão deve propor:

1. Correta exposição doutrinaria. A mensagem da fé nada tem a recear por parte da ciência. Ao contrário, a pouca ciência pode afastar de Deus, ao passo que muita ciência leva a Deus. É preciso que os cristãos conheçam bem o que professam, não apresentando como proposições de fé o que de fato não integra a fé;

2. Coerente conduta de vida. É necessário que os fiéis ilustrem sua mensagem com um comportamento adequado. O mundo de hoje é muito sensível a sinceridade ou a coerência dos pregadores, de tal modo que a mais bela e verídica doutrina, quando apregoada por quem não a vive, pouco ou nada lhe significa.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A imortalidade da alma humana

A imortalidade decorre da espiritualidade da alma. Vejamos por quê:

1)      A natureza mesma da alma humana

A morte é a dissolução do ser vivo. Ora a alma não pode dissolver-se por si, porque não é composta de partes, mas é simples, como todo espírito é simples ou isento de composição. Por isto a alma humana, uma vez criada, subsiste para sempre, mesmo fora do corpo (do qual ela não depende para existir). Só poderia deixar de existir se Deus, que a criou, a quisesse aniquilar; todavia julga-se que Deus não aniquila nenhuma de suas criaturas (embora o possa), pois isto seria uma espécie de contradição; além disto, seria algo injusto, porque tornaria impossível a aplicação das sanções merecidas pelo ser humano nesta vida.
Concluímos, pois, que a alma humana é naturalmente imortal e não deixa de usufruir desta sua prerrogativa, pois Deus não subtrai às criaturas o que lhes outorgou como atributos próprios.

2)      O desejo natural

Todo homem deseja existir sem limites de duração. Este desejo se deriva da própria natureza do homem; não depende de alguma forma de cultura. Ora, tal desejo não pode ser frustrado ou vão; se o fosse, a natureza seria contraditória e absurda. Mais: ela suporia o Absurdo na sua origem, pois teria sido feita para a vida, e a vida sem fim, mas não teria a capacidade de usufruir da imortalidade. Por conseguinte, a alma humana há de ser imortal, a fim de poder fluir da plenitude da vida à qual ela naturalmente aspira.
Questiona-se, porém que, se tal argumento é válido para  alma, há de ser válido também para o homem  todo (composto de corpo e alma), pois o ser humano como tal deseja viver sempre.
Em resposta observemos: o desejo de imortalidade do homem (ou do composto de corpo e alma), embora seja natural, não é senão uma aspiração ineficaz, pois o composto humano tende naturalmente a desgastar-se; os órgãos corpóreos vão-se tornando ineptos para a vida, até estarem totalmente deteriorados. Nesse momento a alma separa-se do corpo. Ao contrário, o desejo de imortalidade da alma humana pode ser eficaz, pois a alma, não sendo composta, não se dissolve.
Sabemos, porém, pela fé, que o Senhor Deus quis conceber ao homem a ressurreição física, atendendo assim ao desejo natural de imortalidade do composto humano.

3)      A sanção da justiça

Todos nós aspiramos ardentemente a justiça. Contudo a justiça na vida presente é precária. Freqüentemente as pessoas retas são prejudicadas por praticarem o bem, ao passo que os iníquos são materialmente beneficiados pela perversão.
Ora, se a alma humana não fosse apta a sobreviver após a existência presente a fim de receber a sanção de seus atos, a justiça ficaria definitivamente prejudicada no caso de muitos homens. A história da humanidade terminaria com o triunfo (ao menos parcial) da injustiça e da desordem sobre a justiça e o bem. Ora, tais conseqüências suporiam um mundo absurdo e, na origem deste mundo, um princípio de contradição, conseqüências estas que não condizem com a ordem e a harmonia que se verificam em geral no universo. Daí é possível afirmar que a alma humana é por si imortal e, por conseguinte, apta a receber na vida póstuma a justa sanção, que muitas vezes na vida presente lhe é negada.
O que acaba de ser dito pode ser ilustrado pela verificação de certos fenômenos ocorrentes na natureza, que parecem excluir a frustração e o absurdo. Com efeito, se tenho olhos, é porque existe a luz, para o qual o olho é feito; se tenho ouvidos, é porque existem sons e melodias; se tenho pulmões, existe o ar que lhe corresponde; se tenho fome e sede, existem os alimentos de que preciso; se a agulha magnética se agita dentro da bússola, existe um pólo Norte (invisível sim, mas muito real) que o atrai. Analogamente se verifico em mim a sede espontânea e natural de certos valores ou mesmo do Infinito, posso estar certo de que tais valores e o Bem Infinito existem no Além, em correspondência a tais aspirações.

Assim se confirma a tese de que a alma humana é por si mesma imortal.

Fonte: meus estudos em Iniciação Teológica na Escola Mater Ecclesiae